Victoria Pedretti voltou a chamar atenção por um papel emocionalmente pesado, mas The Last Day não parece seguir o caminho do terror que marcou parte de sua carreira. O novo filme, exibido no Festival de Tribeca, coloca a atriz em uma história sobre maternidade, cansaço e sofrimento emocional.
O longa é inspirado em Mrs. Dalloway, clássico de Virginia Woolf, mas transporta a ideia para um dia de verão em Nova York. A trama acompanha duas mães que vivem momentos muito diferentes, até que seus caminhos se cruzam por pouco tempo e mudam a forma como uma delas olha para a própria vida.
Uma dessas mulheres é Julia, interpretada por Alicia Vikander. Ela é uma escritora e mãe que está travada criativamente, ainda sente o peso da morte do pai e tenta organizar uma festa para assistir aos fogos de 4 de julho. Por fora, sua rotina parece controlada. Por dentro, ela está cheia de dúvidas sobre quem se tornou.
A outra é Taylor, personagem de Victoria Pedretti. Ela é uma enfermeira da área de parto e mãe de três filhos, passando por uma crise intensa no pós-parto. O filme mostra Taylor tentando seguir em frente mesmo quando tarefas comuns do dia a dia começam a pesar mais do que deveriam.
Esse é o ponto mais delicado de The Last Day. A história não usa a maternidade como algo simples ou idealizado. O filme olha para mulheres que amam seus filhos, mas também enfrentam medo, culpa, solidão, cansaço e a sensação de terem perdido partes de si mesmas no caminho.
Em entrevista ao The Hollywood Reporter, Pedretti falou sobre a profundidade emocional exigida pelo papel. A atriz descreveu o trabalho como um mergulho em um lugar difícil e perigoso, justamente porque Taylor vive uma dor que não pode ser interpretada de forma superficial.
A força da personagem está no fato de ela parecer real. Taylor não é uma “mãe ruim” nem uma figura construída para causar choque. Ela é uma mulher em sofrimento, tentando continuar funcionando enquanto precisa cuidar de outras pessoas e de si mesma ao mesmo tempo.
O elenco também conta com Wagner Moura, que interpreta Peter, uma figura do passado de Julia. Esse encontro faz a personagem de Alicia Vikander repensar sua relação com a filha adolescente e com a vida que construiu até ali.
A direção é de Rachel Rose, que faz sua estreia em longas-metragens. A proposta do filme parece mais contemplativa do que explosiva. Em vez de grandes reviravoltas, The Last Day aposta em conversas, encontros e pequenos gestos que revelam o estado emocional das personagens.
No Na Frente da TV, já falamos de outros filmes que usam o suspense psicológico e o desconforto interno como força narrativa, como Victorian Psycho e Obsessão. Mas, aqui, o peso não vem do medo tradicional. Vem de situações muito humanas: criar filhos, lidar com perdas, tentar manter uma rotina e perceber que algo dentro de você está pedindo ajuda.
Para Victoria Pedretti, The Last Day reforça uma escolha interessante de carreira. Depois de se destacar em papéis ligados ao terror e ao suspense, a atriz aparece agora em um drama mais silencioso, no qual a tensão está no olhar, no corpo cansado e na dificuldade de dizer em voz alta o que está acontecendo.
Ainda não há data de estreia confirmada para o Brasil. Por enquanto, The Last Day segue como um filme de festival que chama atenção pelo elenco, pela inspiração em Virginia Woolf e pela forma cuidadosa como tenta falar sobre maternidade sem romantizar a dor.