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Kane Parsons prefere ideias originais após sucesso de Backrooms

O sucesso de Backrooms poderia abrir para Kane Parsons o caminho mais óbvio de Hollywood: assumir uma grande franquia, entrar em algum universo conhecido e transformar o próprio nome em peça de uma máquina maior. Mas, pelo menos agora, o diretor parece querer o movimento contrário.

Em entrevista ao Collider, Parsons deixou claro que não tem interesse imediato em mergulhar em grandes propriedades intelectuais. Depois de transformar a estética inquietante dos Backrooms em filme da A24, o cineasta quer seguir apostando em ideias próprias, mesmo que isso vá contra a lógica mais comum da indústria.

A posição chama atenção porque Backrooms virou justamente o tipo de fenômeno que Hollywood costuma tentar absorver rápido. O filme nasceu a partir de uma linguagem muito ligada à internet, aos vídeos de terror do YouTube e aos espaços liminares que parecem familiares e errados ao mesmo tempo. Em vez de parecer um produto fabricado para virar franquia, ele carregava a sensação de algo estranho demais para ser totalmente domesticado.

Essa talvez seja a grande força de Parsons. Ele chegou aos cinemas sem parecer moldado pelas regras tradicionais do estúdio. Aos 20 anos, levou para a A24 uma forma de terror construída em corredores vazios, luz fluorescente, silêncio e desorientação. O medo não vem apenas de uma criatura ou de um susto, mas da sensação de estar preso em um lugar que não deveria existir.

No Na Frente da TV, já falamos sobre como Backrooms virou a maior bilheteria da história da A24. Esse resultado torna a fala do diretor ainda mais interessante. Em um momento em que estúdios dependem cada vez mais de marcas conhecidas, um terror nascido da cultura digital conseguiu ocupar espaço sem precisar de super-herói, continuação antiga ou nostalgia pronta.

A comparação com Obsessão também ajuda a entender o momento. Os dois filmes provaram que o público ainda responde a propostas inesperadas quando existe uma ideia forte por trás. Não é que as franquias tenham perdido espaço, mas o terror de 2026 mostrou que originalidade ainda pode vender ingresso.

Parsons não descarta completamente projetos maiores no futuro. O ponto é outro: ele parece mais interessado em construir algo com motivo real para existir do que aceitar uma marca famosa apenas pelo tamanho dela. Para um diretor que saiu do YouTube e chegou à A24 mantendo uma assinatura tão própria, essa escolha diz muito.

Se Hollywood aprendeu alguma coisa com Backrooms, talvez seja isso: nem toda nova voz precisa ser engolida por uma franquia. Às vezes, o melhor caminho é deixar o estranho continuar estranho.

Categories: Filmes
Tags: Backrooms
Jeferson Ribeiro: Sou formado em Sistemas de Informação, apaixonado por séries, filmes e pelo universo do entretenimento. No Na Frente da TV, transformo essa paixão em conteúdo, trazendo novidades, curiosidades e análises sobre cinema, streaming e TV. Cruzeirense apaixonado e fã de boas histórias dentro e fora das telas.
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